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História

Atualizado em 23/12/11 00:06.

História do Hospital das Clínicas da UFG

 

            

           

            Fundado em 23 de fevereiro de 1962, o Hospital das Clínicas da UFG iniciou suas atividades com 67 funcionários e 60 leitos distribuídos entre as Clínicas Médica, Cirúrgica e Ortopédica. Foi idealizado pelos professores Francisco Ludovico de Almeida, Geraldo Pedra, Joffre Marcondes Rezende, Luiz Rassi e pelas enfermeiras Maria da Conceição Viana (Irmã Ângela) e Maria Aparecida Veloso (Irmã Celeste).

            Embora tenha sido inaugurado em 1962, a construção do edifício do Hospital das Clínicas teve início ainda no ano de 1941, pelo Governo do Estado, que tinha a necessidade de criar um Hospital Geral para oferecer atendimento médico à população não previdenciária, isto é, àqueles que não eram segurados do Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (INAMPS). A obra não chegou a ser concluída por falta de recursos e o prédio passou, então, a ser ocupado pela Escola de Engenharia.

Francisco Ludovico, que idealizara a criação de uma Faculdade de Medicina em Goiás para formar profissionais médicos que pudessem atender às populações rurais dos municípios do interior, lutou pela desocupação da área pela Escola de Engenharia e sua desapropriação pelo Governo do Estado, para que ali fosse concretizado seu projeto de criação da Faculdade de Medicina e do futuro Hospital das Clínicas. Para isso, Francisco Ludovico contou com o importante apoio do então Governador do Estado e seu pai, José Ludovico de Almeida, e do presidente da República, Juscelino Kubitschek.

Em 24 de abril de 1960 foi inaugurada a Faculdade de Medicina de Goiás e Francisco Ludovico nomeado seu diretor. Dois anos depois, ocorre a inauguração do Hospital das Clínicas, criado para atender às necessidades de estágio dos alunos da primeira turma da Faculdade de Medicina, mantido pelo Governo do Estado e o Ministério da Educação. Em 1961, ocorre a transferência patrimonial da Faculdade de Medicina para a Universidade Federal de Goiás e, juntamente com ela, o Hospital das Clínicas. O MEC passou, então, a ser seu principal mantenedor.

 

Trajetória de desafios 

A trajetória do Hospital das Clínicas sempre foi marcada por dificuldades, desafios e muito trabalho. Segundo relatos do livro Vertentes da Medicina*, a escassez de recursos financeiros nos primeiros anos e a inexistência de salas de aula e de áreas adequadas aos laboratórios do HC, levaram sua primeira diretoria a adotar, como solução de emergência, a construção sobre alicerces já existentes, de uma série de pequenos pavilhões. Por outro lado, a parte já construída do que seria um Hospital Geral, além de insuficiente, padecia de graves defeitos, que tiveram de ser corrigidos na medida do possível, por meio de sucessivas reformas, adaptações e remanejamento de áreas.

Durante o período da Ditadura Militar, iniciou-se a construção do pavilhão destinado à instalação do Pronto-socorro e foi providenciado o Centro de Esterilização. O General Meira Mattos, interventor federal em Goiás, decretou a instalação do Serviço de Emergência no HC, pois Goiânia não possuía hospitais que realizassem atendimento de urgência e emergência. Apesar da falta de condições para a instalação do serviço, foi decretado pelo ministro seu início imediato.

Nesse período, Francisco Ludovico foi afastado do cargo de diretor da Faculdade de Medicina, acusado pelos órgãos governamentais de participar de atividades ligadas à esquerda política. Com esse fato, Francisco Ludovico não conseguiu concretizar seu projeto para o futuro Hospital das Clínicas, em que pretendia oferecer funcionamento em tempo integral geográfico, o que significava o professor ficar das 7 às 18 horas no hospital realizando suas atividades de ensino e assistência à saúde.

 

 

No ano de 1971, a Maternidade, Pediatria e Medicina Tropical, que funcionavam na Santa Casa de Misericórdia, passaram a funcionar no primeiro pavilhão do HC.

Vários nomes que compõem a fundação da Faculdade de Medicina da UFG também estão presentes no início da história do HC. Dentre os quais, destacam-se os dos professores Javier Puig Serra (Histologia e Embriologia), José Salum (Bioquímica), Jarbas Doles (Anatomia Patológica), William Barbosa (Propedêutica Médica), Jorge Guanaes Dourado (Tisiologia e Pneumologia), Francisco Ludovico de Almeida (Cirurgia Experimental), Luiz Rassi (Clínica Cirúrgica), Jonas Aiube (Pediatria e Pueri-cultura), Georthon Rodrigues Philocreon (Ginecologia), Francisco Ayres (Oftalmologia), Manoel dos Reis e Silva (Otorrinolaringologia), Osvaldo Vilela Garcia (Fisiologia), Alfredo Paes (Neurologia), Geraldo Brasil (Psiquiatria), Benedito Soares de Camargo Jr. (Medicina Legal e do Trabalho). Muitos desses professores trabalharam sem remuneração nos primeiros anos de faculdade.(Almeida Neto, 2001).

Em 23 de março de 1984, com a revisão do estatuto da Universidade Federal de Goiás, o Hospital das Clínicas desvinculou-se da Faculdade de Medicina e passou a ser vinculado hierarquicamente à Reitoria, como órgão Suplementar. Após a promulgação da Constituição de 1988, que assegura a Saúde como direito de todos e dever do Estado, o Hospital das Clínicas manteve seu caráter público e tem contribuído ativamente na implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado de Goiás e no município de Goiânia.

Com todas as dificuldades, em especial a financeira, principalmente decorrente das políticas econômicas adotadas pelo país nos últimos 20 anos do século passado, de grande descaso com as Políticas Sociais, em especial a Saúde e Educação, o HC sofreu um sucateamento de sua estrutura física e humana. Apesar disso, a sua missão institucional e o seu papel social nunca deixaram de ser cumpridos, fato pelo qual o HC tornou-se o principal hospital público do Estado de Goiás, atendendo usuários de diversas regiões brasileiras, em especial a Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

O HC constitui, ainda, um importante formador de conhecimento na área da saúde, por meio do ensino, pesquisa e extensão, tendo contribuído decisivamente para a formação de inúmeros profissionais da área de saúde, como médicos, enfermeiros, nutricionistas, odontólogos, farmacêuticos, entre outros, da UFG e de outras instituições de ensino.

  

* REZENDE, Joffre M. Vertentes da Medicina. São Paulo: Giordano, 2001, p. 228 e 229.

** ALMEIDA NETO, Francisco Ludovico de. A Faculdade de Medicina de Goiás. Goiânia: 2001, p. 45.

 

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